30 E PICOS


A selecção mais emplogante do mundial
Julho 10, 2006, 9:52 pm
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O campeonato do mundo de futebol foi-se, mas o vigor emprestado pela selecção permitiu vendas nunca atingidas de Mebocaína para curar a ressaca canora, das gargantas lusas nos pós jogos e fez com que a média per capita mais elevada da Europa de ecrãs gigantes, projectores e televisores com dimensões de Imax seja, provavelmente, neste momento de Portugal. Para além disso, o português tipo, trinta e picos, possui pela ingestão alarva de cerveja, durante os jogos, flutuadores na ilharga que lhe permitem boiar em qualquer oceano, mesmo com uma salinidade não superior a uma xícara de sal por cada bilião de litros de água onde habitualmente, até hoje, mesmo no mar morto teria dificuldades.
No final sempre acabámos por ganhar alguma coisa: a selecção mais emplogante do mundial. Estamos todos de parabéns.

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Levem lá a taça
Julho 9, 2006, 8:35 pm
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E pronto o campeonato do mundo lá acabou. Que fazer agora com tanto nacionalismo em efervescência? E as bandeiras vão ou ficam? Que saudades dos comentários isentos do Rodrigo Guedes de Carvalho! De expressões como «até os comemos».
Bom, mas isso é do nosso quintal e nós (apesar do excelente desempenho) acabámos por ficar em quarto (o Eusébio, após 40 anos, continua a ser o maior).
A Itália acabou por ganhar a coisa, o que me parece bem, não por os franceses terem ajudado na pândega da devassa da imagem da selecção portuguesa com os seus amigos ingleses, que tanto têm dado ao futebol em termos de fairplay, nomeadamente o hooliganismo e as agressões de Rooney, (o que me pareceria uma razão mesquinha da minha parte) mas porque gosto muito mais de pizza do que croissants, parmezão do que Brie, do Ufizzi do que do Louvre e Chianti do que Bordéus (tudo razões muito mais importantes para ficar feliz com a vitória dos italianos, o contrário seria puro espírito vingativo o que poderia ser considerado falta de fairplay e a imprensa inglesa continua atenta).
A Fifa tem os seus prémios mas alguns foram esquecidos. Uma das vantagens de ter um blog é poder ser tendencioso, eis algumas sugestões de prémios, que ficaram por atribuir:
-prémio «Merche aqui a ver se eu deixo» para Cristiano Ronaldo como consolação por ter perdido o prémio de melhor jogador, mais jovem, do mundial;
-prémio a «gaja não me larga» para David Beckham;
-prémio «com Labreca lá perdemos outra vez nos penaltis», para a selecção inglesa;
-prémio «troca por troca» para Klinsman por ter trocado a Califórnia pelo terceiro lugar no mundial;
-Zidane, prémio «velho, não era?»;
-prémio «grunho do campeonato» para Ribery pela afirmação «Scolari é um bom jogador» e para Sagnol porque tem ar disso;
-prémio «sois nojentos» para a imprensa inglesa;
-Figo, prémio «não ganhei o mundial mas a minha mulher é mais gira que a vossa»;
-prémio «chauvinista quem, eu?» para o seleccionador francês;
-prémio «nem à cabeçada lá vamos» para a selecção francesa;
-prémio pitão d’ouro para Wayne Rooney;
-prémio «coito interrompido» para a selecção brasileira;
Para já é só, no próximo logo se vê.

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A condição portuguesa
Julho 7, 2006, 7:48 am
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Adoro a condição de ser português. Adoro a minha pátria que bem podia ter sido a língua portuguesa. De cuecas na varanda a corar e manjericos. Prefiro a linguiça portuguesa ao fish and ships inglês. Soa-me melhor o sim que o Oui. Alivia-me muito mais mijar do que make a piss. Prefiro A Portuguesa à Marseillese. A Torre de Belém ao Big Ben. Não vejo encantos em monarquias adúlteras de países estrangeiros. Prefiro Portugal! Na sua diferença, temperamento, defeitos, qualidades, presunto de Chaves, vinho do Porto, queijo da serra e alheiras de Mirandela.É-me suficiente para gostar de Portugal. Aos trinta e picos não preciso que a selecção se transcenda para gostar do Meu país. Não preciso de nóbeis. De bandeiras penduradas, compradas no Continente. Que Durão Barroso vá para a comissão europeia. De vitórias na Eurovisão. Não me fazem falta, para isso, caravelas. Prescindo dos D.Sebastiões. Levo a mal quando os franceses acham que somos o país das suas concierges. Antipatizo com a ignorância dos ingleses que acham que o Algarve é Espanha e que nos ganham no mundial se a imprensa (que precisava de açaime) nos caluniar (que afinal a ignorância como o conhecimento, também, não ocupa lugar). Dos alemães que acham que damos bons operários da Mercedes. Dos espanhóis que acham que o plano hidrológico é uma tonteria. Dos critérios de convergência comunitários. Da europa dos subsídios.Dispenso o loiro nórdico. Os dólares do uncle Sam. As Finlândias. Dispensava ter dado mundos ao mundo. Não simpatizo com alianças seculares e bases nas Lages.

O meu país é maneirinho. Não precisa de aprovações ou paternalismos. Gosto da ideia de sermos 10 milhões. De sermos pequenos. Chegam-me oito séculos e picos de história para ter orgulho de ser português. Dá para oferecer Pessoa, Amália, Manoel De Oliveira, Maria João Pires, Figo, Saramago, António Lobo Antunes, Rosa Mota, Paula Rego e tantos outros ao mundo. Consigo tudo isso sem nacionalismos à base de tshirts da selecção e sem vencer o campeonato do mundo de futebol.

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Trinta e picos (parte II)
Junho 30, 2006, 7:14 am
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Rebel without a cause

As expectativas da idade foram algo incutido em mim por um conjunto de centenárias senhoras que em novo me vaticinaram frontespício e silhueta de estampa de Hollywood (quando fosse mais velho) induzindo-me em erro com expressões como «quando fôr mais velho vai deixar muitas sem ceia» e «quando fôr mais velho vai lá vai…». Pois bem, os anos passaram e nunca me assemelhei ao Marlon Brando em On the waterfront ou ou ao James Dean em Rebel Without a Cause. Além do mais temo que nunca ninguém foi para a cama sem cear por minha causa e que as crises intestinais fizeram mais mossa nesse departamento do que eu. Com prognósticos como este não é de estranhar que os mais velhos sejam cada vez mais menos respeitados e acabem em lares, onde os maus tratos são uma constante. Escusado será dizer que as mazelas anímicas provocadas por toda a situação foram inultrapassáveis e, talvez, por isso lide mal com a idade.

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Recordações cinéfilas
Junho 29, 2006, 9:14 am
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Penso que o vi aquando da estreia (1995) nos cinemas King e continua a ser uma boa recordação. Paul Auster (autor do texto),Wayne Wang, Harvey Keitel e William Hurt (quem não se lembra dele em Amigos de Alex?) no seu melhor. A re-ver ou a descobrir.

SMOKE

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House MD: só nos filmes
Junho 28, 2006, 1:51 pm
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Não é nehuma indirecta para a política de saúde nacional (por causa do fecho das maternidades ou dos outros 56789.000 possíveis tópicos de discussão relacionados com a saúde). É sim, possivelmente, uma das melhores séries dos últimos tempos (e da Fox) e, provavelmente, uma das minhas séries favoritas (sim, é verdade a Floribella perde em popularidade). O tipo (o médico) é execrável, preconceituoso, conflituoso, chantagista, viciado em comprimidos, mal educado, numa palavra execrável (oops, já tinha dito essa). A somar a isso tudo é genial (como a série). O que se pode pedir mais? Só que quando recorrermos ao sistema nacional de saúde nos calhe um destes. Mas é provável que antes disso se chegue a uma triste conclusão: destes só nos filmes.

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Trinta e picos
Junho 28, 2006, 12:05 pm
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A idade é algo com que se lida mal. Até porque ela está, em larga medida, relacionada com o sermos remetidos, invariavelmente, para sete palmos abaixo da superfície terrestre onde passamos a co-habitar com a vermaria que nos irá deglutir. Não é preciso o Edson Atayde para nos dizer que isto é sempre má publicidade.
A idade nunca é a certa. Ou nos impossibilita a sessão da tarde ou nos recambia para a dita rodeados de estropíçios com envergadura de roedor que devoram o grande ecrã enquanto metem 5 Blédines no bucho. Não, obviamente, o nosso estropício (que nos obrigou a comparecer ao chamamento cinéfilo) de estirpe irrepensível que, mesmo entre iguais, tem garbo de general.
Aos trinta e picos começa-se a perceber que o corpo se modificou e que não só já não é o que era como se tornou de recuperação lenta e de formas ambivalentes
(por exemplo, com o tempo os homens ganham aquilo que se sempre mais ambicionaram: mamas).
A guerra do abdominal é, nesta altura, uma guerra sem quartel sem vencedores antecipados feita de avanços e recuos estomacais. Assemelha-se às conquistas territoriais afonsinas aos mouros. Há uma constante anexação de territórios adiposos à ilharga trintona que se agarram com força de 7500 lapas, adultas, em idade ideal para acabar no prato temperadas com limão e regadas a branco de qualidade ou Abadia, Boehmia ou Carlsberg.
O Continente e o Jumbo deviam ter caixas especiais para trintões. A Carris e o Metro lugares reservados para trintões.
Deviam existir adsivos de Guronsan especiais para trintões, aplicáveis em sitío não visível ou a exigir nu integral.
Pequenas medidas que dariam ao trintão algo de que se orgulhar.

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Uma imagem vale mais que mil palavras
Junho 27, 2006, 7:30 pm
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Jan Saudek

Jan Saudek

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On the road
Junho 27, 2006, 2:37 pm
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«Great Chicago glowed red before our eyes. We were suddenly on Madison Street among hordes of hobos, some of them sprawled out on the street with their feet on the curb, hundreds of others milling in the doorways of saloons and alleys… …We let out the hobos on this street and proceeded to downtown Chicago. Screeching trolleys, newsboys, gals cutting by, the smell of fried food and beer in the air, neons winking–’We’re in the big town, Sal! Whooee!’ First thing to do was park the Cadillac in a good dark spot and wash up and dress for the night. Across the street from the YMCA we found a redbrick alley between buildings, where we stashed the Cadillac with her snout pointed to the street and ready to go, then followed the college boys up to the Y, where they got a room and allowed us to use their facilities for an hour. Dean and I shaved and showered. I dropped my wallet in the hall. Dean found it and was about to sneak it in his shirt when he realized it was ours and was right disappointed… …But we forgot that and headed straight for North Clark Street, after a spin in the Loop, to see the hootchy-kootchy joints and hear the bop. And what a night it was. ‘Oh, man,’ said Dean to me as we stood in front of a bar, ‘dig the street of life, the Chinamen that cut by in Chicago. What a weird town–wow, and that woman in that window up there, just looking down with her big breasts hanging from her nightgown, big wide eyes. Whee. Sal, we gotta go and never stop going till we get there.»

Jack kerouac, in ‘On the road’

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A Idade só se Aplica às Pessoas Vulgares
Junho 26, 2006, 6:16 pm
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A tendência para colocar uma ênfase especial ou organizar a juventude nunca me foi cara; para mim, a noção de pessoa velha ou nova só se aplica às pessoas vulgares. Todos os seres humanos mais dotados e mais diferenciados são ora velhos ora novos, do mesmo modo que ora são tristes ora alegres. É coisa dos mais velhos lidar mais livre, mais jovialmente, com maior experiência e benevolência com a própria capacidade de amar do que os jovens. Os mais idosos apressam-se sempre a achar os jovens precoces demasiado velhos para a idade, mas são eles próprios que gostam de imitar os comportamentos e maneiras da juventude, eles próprios são fanáticos, injustos, julgam-se detentores de toda a verdade e sentem-se facilmente ofendidos. A idade não é pior que a juventude, do mesmo modo que Lao-Tsé não é pior que Buda e o azul não é pior que o vermelho. A idade só perde valor quando quer fingir ser juventude.

Hermann Hesse, in ‘Elogio da Velhice’

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Lista das (minhas) razões para ter um blog
Junho 25, 2006, 11:18 am
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Poder dizer que se tem um blog e fazer dele, constante, tema de conversa;
ser, provavelmente, o único sítio onde não irei ter problemas com arrumações;
ser menos exigente que um animal de estimação (tanto em horários como em idas ao veterinário);
poder dizer «tenho que ir actualizar o blog», «vou ver os emails do blog», «vou ler os últimos comentários do blog», «vou fazer uns acertos na minha template» ou «vou criar um novo banner»;
poder usar um nick estiloso como Dillinger;
poder falar do que me apetecer: do último kaiser às propriedades medicinais do gin;
ser da malta dos blogs;
poder ir a almoços/encontros para blogs;

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Lista das (minhas) razões para não ter um blog
Junho 25, 2006, 10:19 am
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Passar o tempo a falar do blog;
Ter de arranjar razões para não ir a almoços/encontros de blogs;
ser mais um com um blog;
ter de ouvir coisas como:
-«não tens nada melhor que fazer com o tempo?»
ou
-«podia dar-te para pior!»
não aproveitar o tempo gasto no blog para reforçar a minha participação ao nível da cidadania e enriquecimento da minha cultura democrática;
não poder arranjar um animal de estimação (em virtude do tempo gasto), nomeadamente um cão que continua a ser o melhor amigo do homem (e não um blog!);
ter de arranjar coisas para falar (logo eu que sou introvertido);
fazer parte de um grupo que nem foi preciso fazer-me sócio;

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