As expectativas da idade foram algo incutido em mim por um conjunto de centenárias senhoras que em novo me vaticinaram frontespício e silhueta de estampa de Hollywood (quando fosse mais velho) induzindo-me em erro com expressões como «quando fôr mais velho vai deixar muitas sem ceia» e «quando fôr mais velho vai lá vai…». Pois bem, os anos passaram e nunca me assemelhei ao Marlon Brando em On the waterfront ou ou ao James Dean em Rebel Without a Cause. Além do mais temo que nunca ninguém foi para a cama sem cear por minha causa e que as crises intestinais fizeram mais mossa nesse departamento do que eu. Com prognósticos como este não é de estranhar que os mais velhos sejam cada vez mais menos respeitados e acabem em lares, onde os maus tratos são uma constante. Escusado será dizer que as mazelas anímicas provocadas por toda a situação foram inultrapassáveis e, talvez, por isso lide mal com a idade.
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Penso que o vi aquando da estreia (1995) nos cinemas King e continua a ser uma boa recordação. Paul Auster (autor do texto),Wayne Wang, Harvey Keitel e William Hurt (quem não se lembra dele em Amigos de Alex?) no seu melhor. A re-ver ou a descobrir.
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Não é nehuma indirecta para a política de saúde nacional (por causa do fecho das maternidades ou dos outros 56789.000 possíveis tópicos de discussão relacionados com a saúde). É sim, possivelmente, uma das melhores séries dos últimos tempos (e da Fox) e, provavelmente, uma das minhas séries favoritas (sim, é verdade a Floribella perde em popularidade). O tipo (o médico) é execrável, preconceituoso, conflituoso, chantagista, viciado em comprimidos, mal educado, numa palavra execrável (oops, já tinha dito essa). A somar a isso tudo é genial (como a série). O que se pode pedir mais? Só que quando recorrermos ao sistema nacional de saúde nos calhe um destes. Mas é provável que antes disso se chegue a uma triste conclusão: destes só nos filmes.
Tags: TV
A idade é algo com que se lida mal. Até porque ela está, em larga medida, relacionada com o sermos remetidos, invariavelmente, para sete palmos abaixo da superfície terrestre onde passamos a co-habitar com a vermaria que nos irá deglutir. Não é preciso o Edson Atayde para nos dizer que isto é sempre má publicidade.
A idade nunca é a certa. Ou nos impossibilita a sessão da tarde ou nos recambia para a dita rodeados de estropíçios com envergadura de roedor que devoram o grande ecrã enquanto metem 5 Blédines no bucho. Não, obviamente, o nosso estropício (que nos obrigou a comparecer ao chamamento cinéfilo) de estirpe irrepensível que, mesmo entre iguais, tem garbo de general.
Aos trinta e picos começa-se a perceber que o corpo se modificou e que não só já não é o que era como se tornou de recuperação lenta e de formas ambivalentes
(por exemplo, com o tempo os homens ganham aquilo que se sempre mais ambicionaram: mamas).
A guerra do abdominal é, nesta altura, uma guerra sem quartel sem vencedores antecipados feita de avanços e recuos estomacais. Assemelha-se às conquistas territoriais afonsinas aos mouros. Há uma constante anexação de territórios adiposos à ilharga trintona que se agarram com força de 7500 lapas, adultas, em idade ideal para acabar no prato temperadas com limão e regadas a branco de qualidade ou Abadia, Boehmia ou Carlsberg.
O Continente e o Jumbo deviam ter caixas especiais para trintões. A Carris e o Metro lugares reservados para trintões.
Deviam existir adsivos de Guronsan especiais para trintões, aplicáveis em sitío não visível ou a exigir nu integral.
Pequenas medidas que dariam ao trintão algo de que se orgulhar.
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«Great Chicago glowed red before our eyes. We were suddenly on Madison Street among hordes of hobos, some of them sprawled out on the street with their feet on the curb, hundreds of others milling in the doorways of saloons and alleys… …We let out the hobos on this street and proceeded to downtown Chicago. Screeching trolleys, newsboys, gals cutting by, the smell of fried food and beer in the air, neons winking–’We’re in the big town, Sal! Whooee!’ First thing to do was park the Cadillac in a good dark spot and wash up and dress for the night. Across the street from the YMCA we found a redbrick alley between buildings, where we stashed the Cadillac with her snout pointed to the street and ready to go, then followed the college boys up to the Y, where they got a room and allowed us to use their facilities for an hour. Dean and I shaved and showered. I dropped my wallet in the hall. Dean found it and was about to sneak it in his shirt when he realized it was ours and was right disappointed… …But we forgot that and headed straight for North Clark Street, after a spin in the Loop, to see the hootchy-kootchy joints and hear the bop. And what a night it was. ‘Oh, man,’ said Dean to me as we stood in front of a bar, ‘dig the street of life, the Chinamen that cut by in Chicago. What a weird town–wow, and that woman in that window up there, just looking down with her big breasts hanging from her nightgown, big wide eyes. Whee. Sal, we gotta go and never stop going till we get there.»
Jack kerouac, in ‘On the road’
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A tendência para colocar uma ênfase especial ou organizar a juventude nunca me foi cara; para mim, a noção de pessoa velha ou nova só se aplica às pessoas vulgares. Todos os seres humanos mais dotados e mais diferenciados são ora velhos ora novos, do mesmo modo que ora são tristes ora alegres. É coisa dos mais velhos lidar mais livre, mais jovialmente, com maior experiência e benevolência com a própria capacidade de amar do que os jovens. Os mais idosos apressam-se sempre a achar os jovens precoces demasiado velhos para a idade, mas são eles próprios que gostam de imitar os comportamentos e maneiras da juventude, eles próprios são fanáticos, injustos, julgam-se detentores de toda a verdade e sentem-se facilmente ofendidos. A idade não é pior que a juventude, do mesmo modo que Lao-Tsé não é pior que Buda e o azul não é pior que o vermelho. A idade só perde valor quando quer fingir ser juventude.
Hermann Hesse, in ‘Elogio da Velhice’
Tags: Livros
1° Poder dizer que se tem um blog e fazer dele, constante, tema de conversa;
2° ser, provavelmente, o único sítio onde não irei ter problemas com arrumações;
3° ser menos exigente que um animal de estimação (tanto em horários como em idas ao veterinário);
4° poder dizer «tenho que ir actualizar o blog», «vou ver os emails do blog», «vou ler os últimos comentários do blog», «vou fazer uns acertos na minha template» ou «vou criar um novo banner»;
5° poder usar um nick estiloso como Dillinger;
6° poder falar do que me apetecer: do último kaiser às propriedades medicinais do gin;
7° ser da malta dos blogs;
8° poder ir a almoços/encontros para blogs;
1° Passar o tempo a falar do blog;
2° Ter de arranjar razões para não ir a almoços/encontros de blogs;
3° ser mais um com um blog;
4° ter de ouvir coisas como:
-«não tens nada melhor que fazer com o tempo?»
ou
-«podia dar-te para pior!»
5° não aproveitar o tempo gasto no blog para reforçar a minha participação ao nível da cidadania e enriquecimento da minha cultura democrática;
6° não poder arranjar um animal de estimação (em virtude do tempo gasto), nomeadamente um cão que continua a ser o melhor amigo do homem (e não um blog!);
7° ter de arranjar coisas para falar (logo eu que sou introvertido);
8° fazer parte de um grupo que nem foi preciso fazer-me sócio;
1° Ser glamoroso (como se diz nas revistas femininas);
2° não apalermado;
3° não intelectualóide;
4° com sentido crítico e prático;
5° bom de prosa;
6° profusamente ilustrado;
7° interessante na linkagem;
8° bem frequentado;
9° sem ambições estatísticas;
10° sem antecedentes ou pretensões bajuladoras;
11° não querer imitar o Abrupto;
12° usar uma média de 0,0063 palavrões por linha publicada;
13° usar uma média de 0,0034 comentários sexistas por linha publicada;
14° usar uma média de 0,0098 insinuações injuriosas a políticos por linha publicada;
15° ser para minorias;
16° ter propriedades design;
17° possuir apetrechos blogosféricos, com provas dadas;
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Arquivado em: Textos
Pronto, e logo eu que nunca vi interesse em que sempre que nasce uma borbulha, em parte privada, a dita passe a ser património, não direi da humanidade, mas da blogosfera inteira, sendo a borbulha e a sua localização do conhecimento geral. Aos trinta e picos começamos a ver coisas com outros olhos. Não há Multiopticas que nos valha. Os trinta e picos engorduram-nos as meninges e começamos a escrever alarvidades, mais ou menos diarescas, para nossa própria surpresa. As nossas micoses tornam-se públicas.
Dá-nos uma espécie de floxera. E lá vai disto…blogosfera com ele.
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