A idade é algo com que se lida mal. Até porque ela está, em larga medida, relacionada com o sermos remetidos, invariavelmente, para sete palmos abaixo da superfície terrestre onde passamos a co-habitar com a vermaria que nos irá deglutir. Não é preciso o Edson Atayde para nos dizer que isto é sempre má publicidade.
A idade nunca é a certa. Ou nos impossibilita a sessão da tarde ou nos recambia para a dita rodeados de estropíçios com envergadura de roedor que devoram o grande ecrã enquanto metem 5 Blédines no bucho. Não, obviamente, o nosso estropício (que nos obrigou a comparecer ao chamamento cinéfilo) de estirpe irrepensível que, mesmo entre iguais, tem garbo de general.
Aos trinta e picos começa-se a perceber que o corpo se modificou e que não só já não é o que era como se tornou de recuperação lenta e de formas ambivalentes
(por exemplo, com o tempo os homens ganham aquilo que se sempre mais ambicionaram: mamas).
A guerra do abdominal é, nesta altura, uma guerra sem quartel sem vencedores antecipados feita de avanços e recuos estomacais. Assemelha-se às conquistas territoriais afonsinas aos mouros. Há uma constante anexação de territórios adiposos à ilharga trintona que se agarram com força de 7500 lapas, adultas, em idade ideal para acabar no prato temperadas com limão e regadas a branco de qualidade ou Abadia, Boehmia ou Carlsberg.
O Continente e o Jumbo deviam ter caixas especiais para trintões. A Carris e o Metro lugares reservados para trintões.
Deviam existir adsivos de Guronsan especiais para trintões, aplicáveis em sitío não visível ou a exigir nu integral.
Pequenas medidas que dariam ao trintão algo de que se orgulhar.
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